Gravidez e Escalada
Gravidez e escalada parecem ser duas opções que se anulam uma à outra, no entanto, com vontade, ponderação e bom-senso, é possível conciliar estes dois mundos.
Não há dados científicos sobre como a actividade física intensa afecta a gravidez, e, muitas vezes, a ignorância e o medo levam a que se reduzam drasticamente os esforços físicos.
Vantagens da prática de exercício físico
Como em qualquer desporto, a prática contínua de escalada para a mãe gestante apresenta várias vantagens:
- Mãe mais saudável;
- Manter o equilíbrio espiritual da mãe;
- Bebé mais saudável;
- Boa altura para treinar flexibilidade, visto que os ligamentos cedem mais;
- É mais fácil recuperar a forma anterior depois do parto.
Impedimentos para a prática de escalada
A resistência ao esforço físico depende de mulher para mulher e muitas das vezes não tem limites visíveis: é aquilo que a mãe/escaladora sente que deve e pode fazer. Por vezes, independentemente da vontade da mãe, outras razões podem impedir ou reduzir a prática de escalada:
- Indicações específicas do médico assistente;
- Náuseas e vómitos no primeiro trimestre;
- Receio de magoar o feto;
- Sonolência e cansaço;
- Aumento de peso;
- Impossibilidade de realizar alguns movimentos devido ao tamanho da barriga;
- Alteração do centro de gravidade do corpo devido ao aumento de peso e de tamanho (o que pode causar desequilíbrios inesperados).
É seguro escalar durante a gravidez?
A escalada é uma actividade que acarreta alguns riscos. Durante a gravidez os riscos são os mesmos, mas as consequências são muito mais graves. Assim, para evitar situações perigosas para o bebé devem-se tomar algumas precauções:
- Abrandar durante as primeiras 12 semanas;
- Usar um arnês completo quando a barriga aumenta;
- Escolher zonas de rocha sólida (para reduzir o perigo quedas e/ou de ser atingida por pedra solta);
- Escalar em top ou em segundo de cordada;
- Escalar apenas vias conhecidas;
- Fazer travessias ou bloco;
- Escalar vias de grau inferior ao habitual;
- Não executar movimentos explosivos;
- Evitar dar segurança a quem vai à frente em vias com possibilidades de quedas grandes (o puxão pode ser muito brusco para quem está a dar segurança).
Conselhos para o corpo
Durante a gravidez o corpo sofre grandes alterações. Por vezes podem ser vantajosas, mas também pedem alguma atenção particular.
- Ter em atenção o enfraquecimento das articulações e ligamentos (como preparação do corpo para expulsão do bebé);
- Alongar e fortalecer os músculos dorsais mais usados na escalada (grande dorsal, deltóide posterior e rombóides), que têm tendência a ficar mais contraídos e perder a elasticidade;
- Respeitar o próprio corpo.
O pós-parto
Em geral, depois do parto, a recuperação não só é total, como por vezes o corpo parece ganhar mais força e determinação, surpreendendo com a sua performance. Muitas escaladoras de topo como a Lynn Hill, a Esther Cruz, a Mariona Martí e a Janine Cardoso contam que depois do parto continuaram a subir de nível e a conquistar títulos em competições. Através dos seus depoimentos, aprendemos que gravidez não é um obstáculo à prática da escalada.
Mais informação sobre o tema:
www.bodyresults.com
Gara VILLALBA, “Escalada y embarazo” in Desnível, nº 236, Abril de 2006, Madrid, pp. 70-74
por Marta Brites Rosa




Terça-feira, 25 Novembro, 2008 at 10:44
Embora este post não se refira propriamente à escalada, mas sim à média montanha, devo referir que a minha filha Mariana foi na barriga da mãe até ao Venteadero (Gredos), que está a 2.500 metros de altitude e cujo caminho de acesso é algo escarpado. Apesar dos 5 meses de gravidez, mãe e filha deram-se bem com a altitude e “calhau”, sem queixas e apenas com um descanso efectivo na dita portela (o tempo do pai trepar a Galana).