Viajar de Bicicleta

Viajar de Bicicleta

Económica e ecológica, a bicicleta permite viajar em todos os terrenos e conhecer ao pormenor locais e pessoas. Com ela o mais importante não é onde se chega, mas o percurso que se faz para lá chegar.

A bicicleta de turismo

Apesar de ter cada vez mais adeptos, o cicloturismo, ou ciclismo de turismo, começou há mais de um século. Em 1896 John Foster Fraser, Edward Lunn e F. H. Lowe fizeram 30 958 km, através de 17 países, em dois anos em bicicletas Penny farthing, com a roda dianteira maior que a traseira, pedais fixos nas rodas, pneus de borracha maciça e cerca de 45 kg de peso.

Hoje em dia tudo é mais confortável. Ainda assim a bicicleta de turismo deve corresponder a certas características:

  • Ser confortável;
  • Ter pedais de encaixe;
  • Ter um suporte de carga equilibrado;
  • Ter uma grande variedade de mudanças;
  • Ser um equipamento robusto;
  • Permitir o posicionamento vertical do ciclista;
  • Ter um guiador que permite que as mãos pousem de maneiras diferentes, de forma a partilha a tensão por vários grupos musculares em percursos longos;
  • Corresponder a exigências específicas do ciclista (se as houver).

Antes da viagem

Além de ser uma forma ecológica de viajar é também das mais baratas e das que permite uma maior interacção com as populações por onde se passa. Possibilita e incentiva um contacto próximo com tudo o que os rodeia: pessoas, animais, paisagens, cheiros, topografias de terreno, etc. A passagem por um local não é só uma passagem: é uma vivência e um convívio.

No entanto, para que a viagem possa ser desfrutada ao máximo, alguns procedimentos precisam de ser seguidos antes de iniciá-la:

  • Averiguar quais os locais de dormida;
  • Averiguar onde se pode arranjar o que comer e beber;
  • Fazer uma revisão à bicicleta;
  • Treino de orientação com carta e bússola;
  • Averiguar contactos para reparações necessárias durante a viagem ou para encomenda de peças;
  • Experimentar a bicicleta e calçado de encaixar antes da viagem.

A dimensão das coisas é outra. Não quer dizer que seja a real, mas é uma dimensão mais humana, na medida em que o Homem é um ser vivo como os outros, capaz de depender unicamente de si próprio para comer, arranjar um local abrigado para dormir e para se deslocar.

A viagem

Durante o percurso nasce um respeito por todas as pequenas coisas. Uma flor no deserto, uma carrinha de frutas numa aldeia perdida, uma subida, atingir uma determinada altitude, e tantas outras coisas. A dimensão das coisas é outra. Não quer dizer que seja a real, mas é uma dimensão mais humana, na medida em que o Homem é um ser vivo como os outros, capaz de depender unicamente de si próprio para comer, arranjar um local abrigado para dormir e para se deslocar.

Para que autonomia seja eficaz é necessário ter o material adequado, que permita a subsistência do ciclista e da bicicleta:

  • Ciclocomputador (com contagem dos quilómetros percorridos e a percorrer e ajudar na leitura dos mapas/roadbooks);
  • Aparelho de GPS;
  • Câmaras de ar sobressalentes;
  • Bomba de ar;
  • Ferramentas para reparação das bicicletas e das câmaras de ar;
  • Luzes de presença e de iluminação;
  • Alforges e suporte para alforges;
  • Mala para o guiador;
  • Capacete;
  • Bússola;
  • Luvas;
  • Camisolas e casacos que tapem a zona lombar, para evitar que os músculos apanhem frio e, posteriormente, causem dor;
  • Calções/calças almofadados;
  • Roupas claras para maior visibilidade em percursos de estrada nocturnos;
  • Mapas actualizados das zonas por onde se vai passar;
  • Caixa de primeiros socorros;
  • Todo o equipamento extra dever ser leve (tenda, cozinha, etc.).

Em autonomia

River crossing

O cicloturismo em autonomia, como outras modalidades, permite testar a resistência física até aos limites e premeia, invariavelmente, com a consciência de que se deu o melhor. O teste à resistência, tanto física como moral, é uma das motivações dos desportos em geral. A capacidade de superar obstáculos é exercitada a cada momento.

Mas para que a resistência se prolongue e a viagem tenha o sucesso esperado, convém ter em atenção:

  • Dividir equitativamente o peso dos alforges (de maneira a não causar desequilíbrio lateral), pondo os objectos mais pesados no fundo dos alforges (para baixar o centro de gravidade da bicicleta, dando-lhe mais estabilidade;
  • Guardar mapas, luzes, dinheiro e outros itens importantes na mala do guiador;
  • Não tentar exceder as suas capacidades físicas;
  • Não subestimar as condições meteorológicas;
  • Minimizar o impacte ambiental;
  • Respeitar a fauna e flora;
  • Respeitar a propriedade privada;
  • Saber localizar-se no mapa;
  • Ter sempre uma pessoa externa ao passeio informada sobre o itinerário completo e em pormenor.

Neste momento, por esse mundo fora, ciclistas pedalam em autonomia por caminhos de terra, de alcatrão e de cabras. Uns com objectivos sociais, outros com objectivos pessoais, uns com apoios, outros sem. Todas as razões para viajar são legítimas, todas as regiões alcançáveis.

Para nos juntarmos a eles devemos ter alguns cuidados, arranjar equipamento adequado, preparamo-nos previamente e arrancar. Mas acima de tudo ter vontade de encarar um futuro próximo com muitas subidas íngremes e, também, muitas descidas vertiginosas.

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por Marta Brites Rosa

Fotos por Magical World.

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