Editorial – Campeonato de Escalada de Dificuldade FPME

Editorial – Campeonato de Escalada de Dificuldade FPME

Coube à Desnível a organização do Campeonato de Escalada de Dificuldade previsto pela FPME, que decorreu na Estrutura Artificial de Escalada (EAE) do Centro Desportivo Nacional do Jamor nos dias 4 e 5 de Julho de 2009.

Com uma organização efectuada em “tempo recorde”, operacionalizando a competição apenas em duas semanas, o sucesso desta iniciativa deveu-se, sobretudo, ao contributo dos nossos parceiros, ao envolvimento em massa da comunidade escaladora e, em especial, ao empenho de todos os colaboradores que revelaram uma dedicação notável.

Este evento contou com a participação de cerca de setenta atletas dos vários escalões, desde infantis a seniores, e com uma enorme afluência de espectadores, considerando-se por isso terem sido alcançados os seus objectivos, nomeadamente a sensibilização da população em geral para as competições de escalada, bem como a angariação de novos atletas e praticantes da modalidade.

Foi com grande satisfação que verificámos que grande parte da comunidade escaladora, em Portugal, se reuniu em prol desta competição que poderá representar uma contribuição de grande importância para o futuro da FPME.

Como era do conhecimento de todos, a realização desta prova era bastante relevante para a credibilidade da FPME, por diversos aspectos, tais como, beneficiar do apoio do IDP, aproveitar a qualidade da EAE utilizada e ainda pela projecção que esta competição em particular lhe poderá dar, nomeadamente para o impulsionamento da modalidade. Julgamos que pode ser uma alavanca muito marcante para tornar esta nova federação mais forte perante as entidades que regulam o desporto em Portugal.

“Nem todas as entidades seguirão o nosso ponto de vista, segundo o qual as modalidades só podem crescer com o envolvimento dos praticantes e das restantes entidades associadas às mesmas: clubes, empresas, marcas e escolas…”

Nem todas as entidades seguirão o nosso ponto de vista, segundo o qual as modalidades só podem crescer com o envolvimento dos praticantes e das restantes entidades associadas às mesmas: clubes, empresas, marcas e escolas, recorrendo a estágios, encontros, competições, jornadas, seminários, etc., e incluindo o desenvolvimento e a aplicação de um modelo de formação adequado para praticantes e quadros técnicos. Infelizmente, a nosso ver a realidade actual continua viciada pela ingerência nefasta da FCMP que, apesar de todo o apoio que detém do Estado e de ser proprietária de uma infra-estrutura com excelentes condições para organizar competições de bom nível, pouco tem feito em prol das modalidades de montanha.

Além deste facto, para uma federação que representa oficialmente a modalidade, é lamentável saber que a FCMP tudo tentou para boicotar e dificultar esta competição, com diversas atitudes menos próprias. De louvar a posição do IDP, que não cedeu às pressões e possibilitou a organização da prova, mantendo o compromisso de cedência da EAE do Jamor para a realização do campeonato.

Como exemplo desta forma de actuação da FCMP temos o comunicado apresentado no seu site, responsabilizando o IDP pela não organização da competição de escalada agendada por esta federação para o dia 11 de Julho de 2009, alegando que a estrutura do Jamor se encontrava danificada pela indevida utilização a que foi sujeita durante o Campeonato de Escalada de Dificuldade.

Relativamente a este comunicado, poder-se-iam colocar algumas questões:

  1. O cancelamento desta competição não será antes por incapacidade organizativa?
  2. Seria benéfica a comparação com o Campeonato de Escalada de Dificuldade FPME?
  3. Teriam condições para atingir os números de atletas e de público do Campeonato FPME, na mesma infra-estrutura?
  4. Conseguiriam envolver tão grande número de escaladores, marcas, entidades associadas?

Em resposta a este comunicado a Desnível informou o IDP de que a EAE do Jamor se encontra em perfeitas condições para a realização de uma competição de escalada ou de outro tipo de evento desta modalidade, desde que adequado ao equipamento. Neste sentido e com o intuito de esclarecer eventuais dúvidas, sugerimos a elaboração de um parecer técnico pela empresa responsável pela construção e montagem da estrutura.

Esperamos que após este evento todos tenham ficado mais elucidados de que é possível fazer mais pelo desenvolvimento das actividades de montanha e que acima de tudo é necessário empenho e força de vontade. Institucionalmente, momentos como este são um grande incentivo para que se continue a trabalhar pelo movimento associativo. E satisfaz ver que ainda persiste em muitos um espírito altruísta, desprovido de interesses pessoais, com o intuito de contribuir para o cumprimento de objectivos partilhados.

Julgamos que será uma oportunidade para as entidades que regulam o Desporto em Portugal reflectirem sobre as modalidades de montanha, cada vez mais praticadas, que necessitam de um enquadramento mais eficaz por parte de entidades federativas. Já tarda um envolvimento federativo que acompanhe o desenvolvimento que as mesmas legitimam.

Por último e uma vez mais, um agradecimento pelo apoio de todos os que colaboraram nesta iniciativa.

Mário Silva
Presidente da Associação de Desportos de Aventura Desnível

Reconhecimento e motivação

Reconhecimento e motivação

O trabalho que a Desnível vem desenvolvendo ao longo dos anos tem vindo a ser progressivamente reconhecido, quer pelos praticantes das modalidades desportivas a que a associação está directamente ligada, quer pelas empresas de animação turística e pelas entidades públicas.

O ano de 2007 fica marcado por dois passos importantes no âmbito do reconhecimento institucional do trabalho desenvolvido pela associação.

“Este reconhecimento público e institucional é uma motivação, mas ao mesmo tempo aumenta a nossa responsabilidade e obriga-nos a um trabalho cada vez mais consistente.”

No início do ano foi atribuído à Desnível o Estatuto de Utilidade Pública e em Julho a associação foi acreditada pela DGERT (antigo IQF). Para além do incremento de associados e do desempenho desportivo, a Desnível sobressai pelo trabalho desenvolvido nas áreas da acção social e da formação. Este reconhecimento público e institucional é uma motivação, mas ao mesmo tempo aumenta a nossa responsabilidade e obriga-nos a um trabalho cada vez mais consistente.

E todo este trabalho só tem sido possível com o envolvimento de cada vez um maior número de associados e pela sua participação activa. Destaca-se igualmente a inserção de estagiários de alunos de cursos de desporto e turismo, que na Desnível aprendem e praticam o enquadramento de actividades com os nossos formadores. Sem eles não seria possível desenvolver um programa tão activo na área da acção social e apoio à juventude.

As regalias associadas à Utilidade Pública são diversas, sendo de destaque as questões associadas a reduções ou isenções fiscais e a donativos de particulares e empresas.

No que confere à acreditação da DGERT (site) destaca-se a imagem de qualidade associada à marca, à isenção de IVA nas actividades de formação para os não associados, já que os associados já usufruíam dessa regalia.

Como vê pessoalmente o trabalho da Desnível para a sociedade e para a formação? Deixe-nos o seu comentário e sugira também novos desafios para a nossa associação!

A Direcção da Desnível

Serra da Estrela – a Jóia da Coroa

Serra da Estrela – a Jóia da Coroa

por Tiago Pais

“A Jóia da Coroa do património ecológico do interior de Portugal”, foi assim que Jan Jansen designou a nossa Serra da Estrela.

Jan Jansen, é um dos botânicos contemporâneos que mais estudou a natureza da Serra da Estrela. De facto, a Serra tem características que a tornam única em Portugal, de tal modo que se encontra no imaginário da maioria dos portugueses como uma serra emblemática. Desde o tempo em que Viriato combatia os Romanos e lhe chamava Montes Hermínios, que a Serra é palco de Aventuras e Aventureiros – desde guerreiros, pastores, cientistas, caminhantes ou simples incautos – até aos dias de hoje, ajudando a criar uma aura mítica à sua volta.

A paisagem e o Homem

A paisagem actual da Serra da Estrela é o resultado de uma convivência equilibrada secular entre a actividade humana e os elementos naturais. A pastorícia e a agricultura foram durante anos parceiros respeitadores dos equilíbrios ecológicos serranos, de tal forma que passaram a fazer parte deles.

Mas os tempos são de mudanças profundas e a “Jóia da Coroa” começa a perder o seu brilho e a sua aura inexpugnável. As gentes partiram quase todas para o “oásis” das grandes cidades e as que ficam já não são capazes de defender o que é seu por direito – as suas terras na Serra:

  • Estradas de alcatrão rasgam consecutivamente a paisagem “democratizando” o acesso por todos a todos os lados da Serra;
  • Constroem-se casas amontoadas, que alastram dos núcleos de altitude, fazendo lembrar bairros suburbanos e por vezes ilegais, numa tentativa de “urbanizar” a natureza;
  • Planeiam-se infra-estruturas de utilidade e funcionalidade duvidosas para, por ventura, serem abandonadas no futuro;
  • Promove-se a fancaria e o Turismo de rápido consumo em detrimento dos produtos típicos e da visita tranquila;
  • Multiplicam-se os estabelecimentos hoteleiros sem se investir na oferta diversificada de actividades, tornando a Serra da Estrela o maior dormitório de férias, depois do Algarve;

Tudo isto em nome de um pretenso desenvolvimento da região, da sua economia e da qualidade de vida das suas gentes. E tendo como alavanca o turismo e em particular o Turismo da Neve. Mas se a aposta no turismo não for sustentável, pode não passar de uma aposta efémera e comprometer inclusivé o desenvolvimento local a médio prazo.

Pseudo-desenvolvimento

A estratégia adoptada nos últimos anos pela Região de Turismo da Serra da Estrela e pela Turistrela S.A., por vezes com a colaboração de algumas Câmaras e do Governo Central, para o desenvolvimento turístico tem tido o efeito perverso de aumentar a sazonalidade e reduzir o potencial do turismo de Natureza e Rural para o qual a Serra da Estrela é naturalmente vocacionada. Por outro lado, no formato actual de desenvolvimento turístico, as populações locais pouco ou nada beneficiam dos projectos que tem vindo a ser anunciados, quer em termos económicos, quer em termos laborais:

  • Quantos empregos geraram os sessenta chalés que foram construídos nas Penhas da Saúde?
  • Quantos empregos geraram os teleféricos planeados dos Piornos e de Alvoco para a Torre?
  • Ou da expansão da estância de esqui?
  • Que benefícios reais retiram as populações destes projectos?
  • Que benefícios reais retiram as populações da constante abertura de acessos à Torre?

Creio que tudo isto apenas faz com que os turistas passem pela Serra com mais rapidez, sem necessidade de se alojarem onde quer que seja ou consumir o que quer que seja: o Turismo de Consumo Rápido.

Todos estes projectos beneficiam, essencialmente, as empresas que os executam e exploram. Todos estes projectos atentam contra o direito de desfrutarmos dos espaços naturais e de um ambiente “anti-urbano”, atentam contra o direito de nos aventurarmos e de nos perdermos na Serra! Ou seja, proteger o ambiente serrano não é um capricho, não é um fanatismo. Proteger a serra é um direito legítimo que nos assiste e ao mesmo tempo um dever cívico: o de preservar para os outros aquilo que nos foi deixado.

“a mobilização e integração das populações locais e da sociedade civil em geral neste movimento é fundamental para alcançar um desenvolvimento real”

Uma Plataforma para a mobilização

Face a todos estes “ataques”, contra os quais o ICN/PNSE tem sido manifestamente incapaz de responder satisfatoriamente, alguns cidadãos mais inconformados e com vontade de mobilizar outros, decidiram criar uma Plataforma que congregasse todos os interessados nos problemas da serra. Desde Clubes e Associações a cidadãos individuais. Pois só assim se poderá alterar o rumo actual da situação.

Nasceu assim, em meados do ano de 2006, a Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela com o objectivo de combater projectos ostensivamente alheios à conservação do património Natural, Paisagístico e Cultural da Serra da Estrela e promover um desenvolvimento equilibrado e conciliador que permita ao maior número de pessoas continuar a usufruir de um património que nos foi legado por anteriores gerações.

A Plataforma está consciente que a mobilização e integração das populações locais e da sociedade civil em geral neste movimento é fundamental para alcançar um desenvolvimento real que só o será se a Serra e a cultura das gentes Serranas beneficiarem mutuamente.

Até ao momento, fazem parte desta Plataforma a Associação de Desportos de Aventura Desnível, a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela, a Associação Distrital dos Agricultores da Guarda, a Liga para Protecção da Natureza, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, bem como vários cidadãos a titulo individual.

Volto a referir, proteger a Serra da Estrela é um direito legítimo e não um capricho, um fanatismo. E é principalmente um dever. Um dever o qual todos devemos cumprir pois a Serra não é um caso perdido, mas precisa da contribuição de todos!

Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela

E-mail:padesse@gmail.com

Fórum:www.pdsse.org/forum