Canyoning em Portugal

Em Portugal, os percursos de canyoning encontram-se localizados em três regiões distintas:

  • Continente: Norte e Centro
  • Arquipélago dos Açores: Ilhas das FloresSão JorgeSão Miguel, Santa Maria, Faial e Terceira
  • Ilha da Madeira

Madeira e os Açores apresentam condições excecionais para a prática da modalidade e contam com inúmeros percursos. Devido ao relevo acentuado e à geomorfologia vulcânica os itinerários de canyoning são, em geral, muito encaixados, com grandes verticais e pouco aquáticos.

No continente, a maioria dos percursos de canyoning concentra-se em zonas mais a norte, nas montanhas que servem de barreira de condensação: Serra da ArgaPeneda e GerêsAlvãoAradaFreita, Montemuro e Lousã.

A informação aqui disponibilizada não tem qualquer fim comercial e resulta do trabalho benévolo de diversos colaboradores. Convidamos todos os interessados a colaborar neste projeto, para podermos, em conjunto, enriquecer a página ou corrigir alguma informação.

Atenção: A informação disponibilizada nesta página é puramente indicativa, podendo conter erros ou encontrar-se desatualizada. Todos os percursos de canyoning sofrem modificações constantes, especialmente devido a causas naturais como cheias e derrocadas, que podem condicionar o estado do seu equipamento. Deve ser dada especial atenção aos saltos: verificar sempre a profundidade e ausência de obstáculos submersos antes de saltar, mesmo em piscinas que anteriormente estiveram desimpedidas.

A Modalidade

canyoning é uma modalidade desportiva e lúdica relativamente recente mas com enorme potencial desportivo e turístico e forte crescimento. Esta atividade consiste na descida a pé e a nado, de linhas de água com elevado declive ou encaixe, geralmente próximo da sua nascente e em regiões de montanha. Na descida são utilizadas diversas técnicas como o rapel, saltos, destrepes e tobogãs.

Esta modalidade é muito apreciada principalmente porque conjuga algumas técnicas associadas ao montanhismo, com outras da espeleologia e ainda outras das águas bravas. O ambiente é, em geral, de grande beleza paisagística e imponência e são raros os vestígios da ação humana.

Nos últimos anos esta atividade tem crescido significativamente no âmbito do setor da animação turística, sendo que um número elevado de empresas portuguesas já oferecem programas com esta atividade.

Em Portugal pratica-se essencialmente nas serras do Noroeste, na ilha da Madeira e em três das ilhas açorianas: FloresSão Jorge e São Miguel.

À Descoberta dos Últimos Encantos

Em Portugal a história do canyoning inicia-se no Gerês em 1989. Um grupo de montanhistas atraídos pela inacessibilidade e beleza de alguns vales mais encaixados muniram-se de equipamento de escalada e partiram à descoberta de alguns canyons. Estes vales profundos escavados por linhas de água selvagens, eram então os últimos segredos das maravilhosas paisagens do Gerês. O que encontraram ultrapassou todas as suas expetativas. As surpresas sucederam-se: piscinas naturaiscascatas e gargantas, ladeadas de impressionantes fragas. Para progredirem foram forçados a mergulhar nas águas cristalinas mas geladas. Felizmente as mochilas flutuam, e uns simples sacos de plástico mantêm seca a indumentária necessária para aquelas caminhadas. Com recurso a cordas e a material de escalada, atravessaram as cascatas e os obstáculos mais difíceis. Em breve voltaram com equipamento mais apropriado: fato de neoprenesaco estanque e material para equipar os rapeis.

Novas cascatas

A experiência foi compartilhada, surgiu uma corrida à descoberta de novos rios selvagens repletos de cascatas e piscinas. Os olhos percorreram mapas topográficos à procura de indícios de rios declivosos e as descobertas sucederam-se. Umas vezes já as mini-hídricas tinham chegado e infelizmente, por vezes, sem qualquer respeito pelo ambiente atolaram o leito de pedra, ou deixaram cicatrizes na paisagem difíceis de sarar. Paradoxalmente algumas são empreendimentos recentes subsidiados pelos fundos comunitários mas que não respeitam os obrigatórios estudos de impacte.

Hoje a maioria dos percursos de canyoning existentes no nosso país encontram-se descobertos, mas muitos ainda não estão divulgados devido a receios de que a generalização desta atividade possa influir negativamente no equilíbrio ecológico de alguns dos mais ricos ambientes naturais do nosso país que por vezes, representam o último habitat de espécies ameaçadas.

Embora sem a extensão ou imponência dos canyons mais famosos da Europa, em Portugal estes percursos usufruem de algumas particularidades que os tornam muito apelativos. Como as águas não resultam do degelo, em geral são bastante cristalinas, e apresentam temperaturas suportáveis, ou mesmo apetecíveis. Os percursos de canyoning mais interessantes, em Portugal Continental, localizam-se nas Serras do GerêsAlvãoArada, Freita e Montemuro. No entanto, os mais frequentados não são necessariamente os mais espetaculares, já que a maior parte dos praticantes desta atividade recorre a circuitos comerciais que privilegiam a acessibilidade e menores contingências.

Breve História do Canyoning

Foi a insistente procura de ambientes de beleza ímpar, protegidos da ação humanizadora e a atração pela aventura, que levaram os montanhistas e espeleólogos a explorar o fundo dos vales mais profundos, reduto de rios vertiginosos. Devido à morfologia e geologia algumas regiões tornaram-se rapidamente em verdadeiros santuários do canyoning, como é o caso da Serra de Guara, em Espanha e do Verdon, em França.

Sensivelmente a partir de meados da década de 1970, o canyoning tornou-se uma atividade coletiva. Em 1977 Pierre Minvielle edita o primeiro topo-guia com a descrição de diversos canhões, mas foi com a edição topo-guia de Paul Montroue: “Les canyons de Serra de Guara”, editado em 1980, que a modalidade sofreu um grande impulso. Começaram a aparecer os primeiros profissionais que se dedicaram a guiar grupos na Serra de Guara e o canyoning expande-se para outras regiões, nomeadamente para os Pirinéus, Alpes e Maciço Central de França.

O Canyoning em Português

Em Portugal a prática da modalidade de canyoning iniciou-se com a descida dos rios Fafião e Cabril no Gerês, em Setembro de 1989, por Francisco Silva e Manuel João. Dois meses depois um grupo de franceses liderado por Fréderic Feu, ligado à empresa de desportos de aventura Atalanta, iniciava as primeiras descidas de canyoning na ilha da Madeira. Nos Açores a primeira abertura de um percurso de canyoning referenciada é de 1997, com a descida do troço superior da Ribeira da Praia, pelos irmãos João e Paulo Pacheco.

No Continente foram abertos e equipados progressivamente novos itinerários, especialmente com o empenho de duas equipas, uma da região de Lisboa (Francisco Silva, Paulo Alves e alguns amigos), outra do Porto coordenada pelo Pedro Pacheco.

Na Madeira após a exploração inicial, alguns madeirenses abriram diversos itinerários, tendo nos últimos anos existido um impulso significativo na prática da modalidade no território, com o trabalho desenvolvido por equipas locais, alguns franceses muito dinâmicos dos quais se destaca o Antoine Florin (que editou em 2007 um Guia com os croquis na Madeira)e diversos técnicos da Associação Desnível. Esta associação passou mesmo a organizar conjuntamente com o Clube Maresia e a partir de 2007 também com o Clube do Seixal estágios regulares: 2003, 2005, 2007.

Nos Açores o grande contributo para o desenvolvimento desta modalidade tem sido dado pela Associação Desnível que, entre 2002 e 2007 já realizou no arquipélago seis expedições, dois estágios, um curso nível II e outro NI.

Atraso Federativo

Apesar da maioria dos canyonings em Portugal Continental, já estarem descobertos e equipados, e alguns comercializados por empresas de animação turística, continua a existir um atraso significativo desta modalidade em Portugal, nomeadamente na divulgação, enquadramento, gestão ambiental e na formação/credenciação de técnicos e monitores. Esse atraso é, em grande parte, justificado por não existir um trabalho a nível federativo. De facto, a tutela desta atividade está atribuída à Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), mas esta pouco ou nada tem feito pela modalidade, tendo mesmo conseguido afastar grande parte dos praticantes desta modalidade que estão inscritos em associações e clubes filiados na Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada (FPME).

O papel da Desnível

Assim, tem sido a Associação Desnível a principal entidade a promover esta atividade em Portugal. Desde 2002 que a Associação Desnível desenvolve um plano de atividades e de formação em canyoning consistente, centrado na divulgação e promoção da modalidade, na organização de estágios e expedições e num plano de formação organizado em quatro níveis.

Atualmente, esta associação conta com diversos monitores certificados pela Escola Francesa de Descida de Canyons da Federação Francesa de Espeleologia e outros resultante de formação interna.

Classificação e Graduação

A classificação dos canyonings ainda é um assunto bastante discutido e pouco consensual. Estes podem ser classificados com base no seu interesse, dificuldade técnica “vertical” e aquática, exposição, continuidade, riqueza e sensibilidade do meio ambiente.

Como o canyoning é praticado em espaços naturais frequentemente de difícil acesso e progressão, desenrola-se num ambiente misto: montanha / água, e requer conhecimentos técnicos associados à progressão com recurso a manobras de cordas, caminhada, escalada e progressão no meio aquático incluindo águas bravas, torna-se necessário adotar um sistema de graduação dos canyonings com várias variáveis.

Adicionalmente, as condições de descida de um canyoning podem variar bastante, especialmente devido às condições do meio e, principalmente, com a variação do caudal.

Os principais fatores que contribuem para a dificuldade e segurança da prática de um canyoning são:

  • Equipamento do canyoning (equipado, parcialmente equipado, não equipado)
  • Extensão, incluindo o acesso e regresso
  • Dificuldade técnica associada à transposição dos obstáculos e progressão no rio
  • Caudal e movimentos de água
  • Morfologia
  • Exposição – queda de pedras, cheias provocadas por descargas, etc.
  • Escapatórias
  • Facilidade em sair de zona de cheia
  • Tempo de permanência em contacto com a água
  • Temperatura da água e do meio ambiente
  • Facilidade de comunicação e resgate
  • Informação disponível
  • Fatores humanos – conhecimentos, dimensão dos grupos, etc.

Para além da classificação associada à dificuldade, os canyonings podem ser classificados tendo em conta a exposição e extensão e o seu interesse.

Classificação dos canyonings

Os canyonings podem ser classificados tendo em conta diversos fatores. Para além da classificação associada à dificuldade, os canyonings podem ser classificados em relação à exposição e extensão e ao seu interesse.

A classificação aqui apresentada tem como base o documento realizado pela Federação Francesa de Montanha e de Escalada (FFME), com apoio da Federação Francesa de Espeleologia (FFS) em conjugação com o Sindicato Nacional de Guias de Montanha (SNGM), o Sindicato Nacional de Profissionais de Escalada e de canyoning (SNAPEC), o Sindicato nacional de profissionais de espeleologia e de canyoning (SNPSC) e a Federação de Clubes Alpinos Franceses (FCAF).

Estas normas foram adotadas pelo comité diretor em 27/09/2003.

Classificação do grau de interesse dos canyonings

Embora ainda não exista um sistema de graduação de dificuldade para o canyoning que seja unânime, justificado por ser um desporto relativamente recente e pela dificuldade variar muito consoante o caudal, apresenta-se aqui uma proposta de graduação elaborada a partir de trabalhos desenvolvidos pelas principais entidades do setor tais como a Federação Francesa de Montanha e Escalada e a Escola Francesa de Descida de Canyoning.

O sistema de graduação apresentado refere-se às condições normais dos canyonings (débitos relativamente baixos) e nos períodos mais propícios para a sua descida. Um canyoning fácil, em determinadas situações (por exemplo em cheia ou em condições meteorológicas adversas), torna-se bastante perigoso, ou mesmo impraticável.

Pressupõem-se igualmente que os praticantes apresentam conhecimentos adequados às exigências técnicas da descida, apresentam boa condição física e utilizam equipamento adequado.

Por sua vez, a graduação pressupõe a utilização das técnicas adequadas mais comuns. Por exemplo, pode-se recorrer ao rapel guiado para a maior parte do grupo efetuar a descida e assim diminuir a dificuldade da passagem.

A cotação atribuída a um rio é definida pelo critério mais elevado na escala de dificuldade, ou seja, será o que condiciona a categoria de dificuldade.

A parte psicológica associada à exposição, verticalidade, etc., não é tida em conta nesta proposta de graduação.

A exposição a perigos objetivos, associados à fragmentação da rocha, dificuldade em gerir roçamentos ou à possibilidade de abrigo de queda de pedras, não está suficientemente explorada na proposta de classificação francesa que serviu de base a esta classificação, pelo que foram introduzidas estas variáveis nos graus de dificuldade mais elevados. A dificuldade associada aos saltos só é considerada quando estes são obrigatórios.

Este sistema de cotação apresenta-se dividido em dois indicadores do nível de dificuldade:

* Cotação técnica vertical – V (vertical)
* Cotação aquática – a (aquática)

Cada um deles está dividido em sete classes de dificuldade – 1 a 7, estando o limite superior em aberto.

Selecionar a corda de Canyoning

A corda é o equipamento mais perecível e mais problemático de gerir. No mercado existem diversas opções de cordas possíveis de utilizar em canyoning, mas ainda não existe a corda ideal, nem creio que alguma vez vá existir, poderão é existir cordas mais adequadas a determinadas funções.

Os aspetos essenciais para a seleção da corda são: resistência à abrasão, carga de rutura, peso, diâmetro, alongamento, deslizamento da alma. Existem ainda outros aspetos a considerar: flutuabilidadeencolhimentocor preço.

As cordas dinâmicas são desaconselhadas devido ao seu alongamento que as torna mais suscetíveis aos roçamentos e dificulta a ascensão.

De facto, as cordas utilizadas em canyoning deverão ser semi-estáticas ou mesmo estáticas.

Tanto se podem utilizar em simples como em duplo, consoante o diâmetro. Uma corda em duplo é sempre mais segura, principalmente se existirem roçamentos, mas mais incómoda no rapel. As cordas tipo B (em geral apresentam diâmetros inferior a 10mm) não devem ser utilizadas em simples, especialmente se existir a possibilidade de roçamentos.

Há poucos anos apareceram no mercado cordas destinadas especificamente ao canyoning, sendo que a sua principal característica é apresentarem a alma em polipropileno, o que lhes permite flutuar. No entanto, são cordas menos resistentes à abrasão e podem mesmo danificarem-se com manobras aparentemente inofensivas.

Como, caso se usem técnicas corretas, a flutuabilidade da corda não é um aspeto muito importante, grande parte dos técnicos de canyoning continuam a usar as clássicas cordas semi-estáticas, confecionadas especialmente para a espeleologia ou canyoning. O diâmetro mais utilizado varia entre os 8mm (corda de socorro), 9mm (utilização desportiva) ao 10 a 10,5mm (utilização intensa e comercial). O principal inconveniente é de não flutuarem e ao fim de algum tempo ficam muito rígidas.

Assim, a corda de progressão a selecionar, tal como o seu comprimento, deve estar condicionada pelo emprego que se lhe vai dar (individual, comercial, morfologia e rocha do meio, etc.).

A corda de socorro pode apresentar um diâmetro de 8 mm ou então um kevlar ou dinema de 5,5mm. Alguns defendem que a corda de socorro deve ser dinâmica de 8 a 9mm, pois apresenta a vantagem de se poder utilizar no caso de ser necessário escalar para sair do canyon.

A minha opção pessoal passa por utilizar cordas semi-estáticas de 10 mm para utilização comercial ou intensiva e por uma corda semi-estática tipo B de 9 ou 9,5 mm, para uma utilização mais desportiva. Entre estas, destaco a Spelenium 9,5 Gold da Beal, por ser uma corda que comparativa com as concorrentes apresenta um alongamento bastante baixo (1,8%), cor amarela (mais fácil de detetar na água do que as brancas), um deslizamento da alma de 0% e um peso por metro bastante aceitável (55g).

O tamanho da corda é outro aspeto de difícil decisão. Quanto mais curta menos peso é necessário carregar, por isso o ideal é termos cordas de comprimentos diferentes e selecionar as mais adaptadas aos canyonings que se vão realizar. Em todo o caso, não esquecer que é fundamental levar 3 vezes o comprimento do maior rapel (2Xpara o rapel + 1Xcorda de socorro).

Como exemplo temos que para a Madeira é importante levar cordas de 90 a 100 metros, no Continente entre 20 a 60 metros.

Manutenção e Utilização

A maioria das cordas semi-estáticas vão diminuir de tamanho ao longo do tempo (5 a 10%) e especialmente quando são molhadas a primeira vez.

As cordas novas devem ser molhadas e secas lentamente à sombra, antes da primeira utilização, com este procedimento podem encolher cerca de 5%, mas aumentam a sua resistência e reduzem a possibilidade de deslizamento da camisa.

O comprimento das cordas e o meio deve ser marcado com recurso a marcador próprio (fig.1). No entanto, há quem não defenda esta solução pelo facto de que se for necessário cortar a corda as marcações deixam de ser reais e aumentam as situações de risco. Nestes casos é indispensável alterar as marcações.

Não se deve utilizar qualquer fita ou borracha para marcar as cordas, devendo mesmo retirá-las se estas vierem de origem. Podem bloquear um shunt ou valdotain no rapel, ou ficarem retidas num maillon rapide.

É aconselhável molhar a corda antes de fazer rapel, para diminuir o aquecimento.

Sempre que há potenciais roçamentos devem utilizar-se técnicas específicas para os evitar ou diminuir: rapel alongável dando um pouco de corda entre cada pessoa que desce, utilizar protetores de corda (ou um saco), rapeis guiados, utilizar desvios ou fracionamentos, etc.

Equipamento

Nesta rubrica descreve-se o equipamento necessário para fazer canyoning em situações comuns. O material a levar varia consoante as características do canyoning, por vezes quase não é necessário equipamento específico, mas é bom estar prevenido, pois pode até ser necessário efetuar um resgate.

Deve fazer-se uma verificação do equipamento antes de sair de casa e no acesso ao rio. Ao arrumar o equipamento é conveniente recorrer a uma lista de equipamento.

Equipamento Individual

  • Fato de neoprene
  • Botas
  • Arnês
  • Descensor oito ou Pirana®
  • Capacete
  • Saco canyoning ou mochila
  • Fita dupla de auto-segurança (longe)
  • Pedaço de corda para Valdostano
  • Diversos mosquetões
  • Cordeleta e um bloqueador
  • Bidão estanque
  • Apito
  • Canivete/faca
  • Cobertura de sobrevivência e frontal
  • Cantil e alimentação

Equipamento Coletivo

  • Corda para rapel (2 x tamanho do maior rapel)
  • Corda de resgate (no mínimo igual ao maior rapel)
  • Arnês
  • Material de equipamento (martelo, pernes, entaladores e pitões)
  • Fitas, cordeletas e mosquetões
  • Maillons Rapides
  • Equipamento para resgate expedito
  • Kit de primeiros socorros

Outros

Quanto à logística, á segurança e ao transporte do material devem ser considerados os seguintes aspetos:

Cada praticante deve levar um saco, de forma a se poder distribuir o equipamento por todos os elementos da equipa.

O saco que transporta a corda principal deve levar um bidon (com, por exemplo, a máquina fotográfica) de forma a aumentar a sua flutuação.

Colocar num bidon que não se deve abrir durante a atividade, o vestuário seco, documentos, chaves do carro e, eventualmente, um telemóvel.

Ter uma chave suplementar do carro com outra pessoa.

Cada pessoa que utiliza óculos ou lentes deve levar uns suplentes.

Descrição

Equipamento Comentários
Vestuário – Um fato de neoprene. Em situações de água muito fria deve usar-se um casaco com capuz e umas luvas No nosso país, a temperatura das águas oscila entre os 5 e os 20º C. A longa exposição às águas frias pode levar a situações de grande desconforto, perda de energia e hipotermia.
Calçado – Par de botas Existe calçado específico para canyoning. Mas umas botas ligeiras ou sapato/bota também são apropriadas.
Um capacete de canyoning ou montanha O capacete é uma peça fundamental, protegendo a cabeça de queda de pedras e de choques contra a parede. É igualmente útil, quando se desce por uma cascata, pois a água pode arrastar objetos como pequenos troncos.
Arnês de tipo canyon Pode ser substituído por qualquer arnês de montanha ou de escalada. A principal vantagem dos arneses de canyoning é apresentarem um fundilho que permite proteger o fato neoprene da abrasão.
Longe dupla e mosquetões Pelo menos três mosquetões com segurança por pessoa
Pelo menos três mosquetões com segurança por pessoa Oito ou o Pirana, um descensor da Petzl desenhado especificamente para canyoning
Corda Uma corda com o dobro do comprimento do maior dos rapeis, ou duas com a dimensão do maior dos rapeis.

As mais adequadas são as semi-estáticas de canyon, por serem flutuantes, ou as normalmente utilizadas em espeleologia. Diâmetros recomendados: 9 a 10,5 mm.

Aconselha-se a levar uma corda para resgate e um pedaço curto (tipo 12 a 20 m) para rapéis curtos ou corrimões.

Saco de Canyoning Saco para transporte de equipamento, bastante resistente e muito prático para a manipulação das cordas.

Pode ser substituído por uma mochila resistente, solução que apresenta diversos inconvenientes dos quais o facto de se encher de água e ser difícil de vazar.

Bidão e saco estaque Por mais que se improvise com sacos de plástico, ao fim de algum tempo a água acaba por entrar. Os sacos “estanques” sobre a pressão dos saltos não são absolutamente seguros, pelo que, a melhor solução é o bidão estanque.
Bloqueador e cordeleta Um bloqueador tipo “shunt” pode ser muito útil em descidas delicadas, mas não sob cascatas, e numa situação de emergência em que é preciso subir. Recomenda-se ainda levar duas cordeletas de 6 ou 7 mm que podem ser fundamentais numa situação delicada.
Diverso material para equipamento dos rapeis ou outras passagens difíceis. Equipamento fundamental num canyoning não equipado ou pouco frequentado. Mesmo quando equipado, recomenda-se levar algum material, especialmente cordeleta ou fita para substituir alguma ancoragem deteriorada.
Diverso equipamento de socorro e resgate Levar sempre um estojo de primeiros socorros e equipamento simples para permitir realizar um resgate de uma forma expedita.

Glossário

O desenvolvimento do canyoning como atividade desportiva e de natureza é recente, pelo que existem muitos termos novos associados a esta modalidade. Naturalmente este desporto recorre a muitos termos empregues no montanhismo, escalada ou espeleologia.

Tal como noutras modalidades recentes, a maioria da terminologia específica do canyoning é importada, começando logo pela designação deste desporto.

Alguns dos termos apresentados resultam de um trabalho desenvolvido anteriormente sobre o léxico específico do Montanhismo, para o Boletim “Desporto em Português” do Centro de Estudos e Formação Desportiva e contou com a colaboração da Sociedade da Língua Portuguesa.

Barranco

Sulco ramificado escavado nas encostas que impede a formação de cobertura vegetal. Devem-se à intensa erosão provocada pela água da chuva, especialmente nas áreas mediterrâneas. (in Dicionário de Geografia, Edições Sílabo).

Bloqueio do oito

Técnica para bloquear o descensor em oito durante o rapel.

Canyoning(Canionismo!)

Descida de rios encaixados ou com forte desnível com recurso a caminhada, rapel ou outras técnicas para transposição de obstáculos. Canyoning (ing. UK); Canyonisme ou descentes de canyons (fr.); Barranquismo ou descenso de cañones ou de barrancos (esp.).

Canhão/Canyon

Vale muito encaixado (in Dicionário de Geografia, Edições Sílabo). Vale estreito e profundo de paredes quase verticais (in Enciclopédia Geográfica das Selecções do Reader´s Digest, 1988). Outros termos para designar vales ou linhas de água encaixadas: vale profundo, barranco, corga.

Caos

Aglomerado de rochas no leito de um rio, resultantes de desprendimentos, provocando bloqueios e labirintos difíceis de transpor.

Corda de progressão

Corda utilizada na descida para fazer o rapel.

Corda de recuperação

Corda utilizada para recuperar a corda de progressão.

Corrimão (Main courante)

Corda fixa instalada na horizontal, para auxiliar na progressão em zonas de difícil acesso ou perigosas.

Desvio

Sistema de amarração ou técnica que consiste em utilizar uma ancoragem para desviar a corda da sua linha de rapel ou de tirolesa.

Destrepe

Descida delicada por blocos rochosos sem recurso a cordas.

Escapatória

Lugar pelo qual se pode sair do canhão antes de terminar o percurso. Poderá ser utilizado em caso de emergência.

Escuros

Zona do canhão com fraca ou nula presença de luz, pode derivar de uma passagem subterrânea, de um estreito e encaixe muito grande ou de desabamentos que cobrem parte do leito.

Estiagem

Na época seca, quando o caudal é mais baixo. Garganta, desfiladeiro – Passagem do rio estreita, encaixada entre paredes rochosas.

Fita dupla de auto-segurança (Longe)

Costuma-se utilizar a designação de fita curta e a longa para diferenciar os dois braços da longe.

Fracionamento

Divisão de um ressalto em mais do que um rapel devido à sua altura, à necessidade de desvio de zonas aquáticas perigosas, à dificuldade na recuperação da corda ou à necessidade de diminuir os roçamentos.

Instalação extensível ou regulável

Modo de instalação da corda de forma a esta poder deslizar em caso de necessidade, por exemplo, para descer uma pessoa bloqueada num rapel.

Linha de vida

Instalação de corda ou fitas ligadas a ancoragens, com objetivo de permitir que as pessoas se auto-segurem em locais perigosos.

Maillon rapide

Pequeno anel metálico com fecho roscado.

Pedal

Pedaço de corda, cordeleta ou fita que forma um laço para apoiar o pé. Utiliza-se para subir por uma corda ou para ajudar a desbloquear-se ou a um companheiro bloqueado num rapel.

Rapel

Técnica de descida por corda, geralmente recorrendo a uma peça designada por descensor.

Rapel com segurança

Rapel normal acrescido de um sistema com possibilidade de bloqueio que serve de segurança. Esse sistema pode ser: segurança de cima com segunda corda, segurança por pessoa a segurar a/as cordas de rapel em baixo, ou utilização de um bloqueador (nó autobloqueante, shunt, etc.).

Rapel – Vertaco

Corda depois de instalada no oito passa ainda dentro de um mosquetão, para facilitar a paragem ou aumentar o atrito.

Rapel – Posição rápida

A corda passa diretamente no mosquetão sem passar por trás do oito. Só deve ser utilizado em corda dupla.

Rapel extensível

Ver Instalação extensível ou regulável.

Rapel em simples/duplo

Rapel numa corda / rapel em duas cordas.

Rapel guiado

Rapel normal numa corda em simples com o recurso de outra corda tensionada que serve de linha de guia onde se liga através de um mosquetão ou roldana a fita de autosegurança.

Rapel com fracionamento

Ver fracionamento.

Rapel com desvio

Ver desvio.

Rapel Suspenso

As cordas e os indivíduos estão afastados da parede, não tocando nela.

Rapel – Recuperação

Ação que consiste em retirar a corda do rapel.

Rapel Recuperável

Instalação realizada de forma a ser possível retirar a corda a partir do ponto de saída (rapel, desvio, tirolesa, corrimão).

Ressalto

Desnível ou obstáculo que é necessário transpor com recurso a técnicas de progressão: rapel, salto, destrepe, tobogãs ou escalada.

Retorno

Movimento de água que à superfície se desloca no sentido oposto ao escoamento da água.

Saco de corda (Kit boule)

Saco para transporte da corda. Deve ter um tamanho adaptado à corda a transportar.

Sifão

Local em que a água escoa sob as rochas.

Tanque estanque

Bidão (bidon).

Valdostano/Valdotin

nó realizado com pedaço de corda no qual foram retirados alguns fios. Nó autobloqueante que pode ser desbloqueado mesmo em tensão.

Tobogã

Rampa com água por onde se pode descer deslizando.

Saltos em Canyoning e Velocidade de Impacto

por João Cardoso em 2006

Os saltos são considerados, por muitos, o aspeto mais lúdico de um canyoning, de facto, eles são um grande atrativo para os amantes deste desporto. Permitem superar obstáculos (ressaltos com diferentes medidas, movimentos de águas perigosas) sem a utilização de corda, o que permite rentabilizar o tempo.

Apesar da aparente facilidade de execução, são a causa de muitos traumatismos, derivados de golpes contra a superfície da água, contra corpos imersos, ou contra o fundo. É imprescindível, quando se pretende saltar, ter em atenção um conjunto de procedimentos.

Numa primeira fase, seja qual for a altura do salto, ou mesmo num rio que “conhecemos na perfeição”, é obrigatório realizar uma sondagem minuciosa do local de receção (entrada na água). Se do local do salto não se conseguir fazer um bom diagnóstico da receção (devido à piscina estar escura, devido a jogos de luz e reflexos na água, ou pelo facto da cor da água não permitir medir a profundidade), então um dos elementos da equipa deverá descer, e proceder à exploração da piscina com óculos de mergulho.

Após efetuada a sondagem, deve indicar aos colegas o local mais apropriado para a receção do salto e a profundidade aproximada de que se dispõe para parar a imersão, fornecendo ainda outras informações que ache relevantes.

Os saltos, devem ser efetuados de um lugar pouco escorregadio e o mais horizontal possível. Não se deve correr, e o impulso deve ser dado só com um pé, e não com os dois, para que se diminua o risco de desequilíbrio da bacia, para a frente ou para trás, o que poderia provocar uma má entrada na água. Quando se executa um salto, não se deve hesitar, deve-se estar calmo, isto é, a pessoa deve estar à vontade e consciente das suas capacidades para o fazer, porque se não for este o caso, o melhor é transpor o obstáculo mediante outra técnica. Muitos dos praticantes esquecem-se que os saltos nunca são obrigatórios, todos os obstáculos devem poder ser transpostos mediantes técnicas de corda.

Por vezes em saltos mais pequenos, até 4 metros, os praticantes estão de tal forma descontraídos, que após efetuarem o salto verificam que deixaram para trás a mochila, ou outro objeto. Em qualquer salto, todos os praticantes, mas em especial o último do grupo, deve verificar se ficou algo para trás, pois apesar da pouca altura, pode não se conseguir voltar.

Durante o tempo de suspensão, o corpo deve manter-se direito, com os braços recolhidos e encostados ao corpo, como se representa na figura 2. A receção, deve fazer-se com as pernas fechadas e ligeiramente fletidas, com a cabeça direita e boca fechada.

Em saltos com mais de 4 metros, deve-se retirar a mochila, pois pode criar desequilíbrio, golpear a cabeça, ou rasgar-se no momento da receção.

Na realização de um salto acima dos 4 metros, o corpo deve estar o mais vertical possível, relaxado e com os braços abertos lateralmente, para manter um bom equilíbrio. A posição de entrada na água, deve ser perfeita, por isso, nos instantes antes da receção, é obrigatório encolher os braços para evitar o choque com a água.

Os saltos de cabeça, são completamente desaconselhados, salvo em técnicas de águas vivas, ou durante a progressão aquática horizontal, na qual se pretende pisar o mínimo do fundo, sendo esta técnica de salto em prancha.

Os saltos mais delicados, ou mais técnicos, (salto para uma fenda ou marmita muito estreita, salto para um local de receção afastado na horizontal do local de lançamento, salto para uma piscina pouco profunda), devem ser executados apenas por praticantes que tenham experiência. Por exemplo, num salto para um local onde a profundidade da água é reduzida, no momento da entrada na água deve-se manter os pés firmemente unidos e amortecer o impacto com as pernas ligeiramente fletidas, não muito rígidas, para que se tocarmos no fundo, o impacto com o solo não seja demasiado brusco. Assim, após a entrada na água, deve-se afastar ao máximo os joelhos e os braços, para se criar uma superfície maior e aumentar a força de atrito com a água, diminuindo a distância de paragem. Para que esta técnica seja feita corretamente é necessário um grande sincronismo e experiência, pois não podemos esquecer que se esta postura for adquirida momentos antes de entrar na água, o forte impacto pode provocar lesões graves.

Em modo de conclusão, se arriscarmos a nossa integridade física, podemos facilmente provocar lesões, que rapidamente transformam uma espetacular descida num calvário interminável. A experiência e a boa técnica de salto aliadas ao conhecimento do meio, são indispensáveis para esta forma de progressão.

Cálculo do valor da velocidade de entrada na água

Quando um praticante de canyoning executa um salto, está sob ação do campo gravítico terrestre, atuando sobre ele uma força exercida pelo planeta, vulgarmente chamada de peso.

Iremos fazer uns pequenos cálculos de forma a determinar a velocidade de entrada na água. Para isso, consideramos que ao realizar um salto, a pessoa descreve uma trajetória vertical e retilínea, nas proximidades da superfície terrestre. Neste estudo, desprezar-se-á sempre a resistência do ar, isto é, considerar-se-á que o movimento se realiza no vazio, sujeito apenas à interação gravítica corpo-Terra.

Uma pessoa, durante um salto tem um movimento uniformemente acelerado. Isto quer dizer que existe uma aceleração com o sentido do movimento. Neste caso tem um valor constante de 9,8 m/s2.

O valor da velocidade de entrada na água, pode ser facilmente calculado através da Física. A figura seguinte representa um corte transversal de um ressalto, cuja altura, relativamente ao nível da água, é h.

Figura 4 – Corte transversal de um possível ressalto com altura h, relativamente ao nível da água.

Para se perceber de onde vêm os valores da tabela I, é necessário relembrar dois conceitos: energia potencial gravítica e energia cinética.

A energia potencial gravítica, no planeta Terra, depende da massa do corpo em estudo, da distância a que ele se encontra de um dado referencial. Pode ser calculada a partir da expressão:
onde m é a massa do corpo em kg, g o valor da aceleração a que o corpo está sujeito devido à força de atração da Terra, e h a altura em metros.

A energia cinética, é a energia associada ao movimento das partículas, ou dos corpos, e pode ser calculada a partir da expressão:

onde m é a massa do corpo em kg e v o valor da velocidade em m/s.

Quando o canyonista se encontra na posição de onde vai saltar, ele possui energia potencial, facilmente calculada, e não possui energia cinética, uma vez que o valor da velocidade é zero. A partir do momento que salta, o valor da velocidade deixa de ser zero, e consequentemente, o valor da energia cinética. Durante a queda, o valor da energia cinética aumenta (valor da velocidade aumenta), e o valor da energia potencial diminui (altura diminui). Ao nível da água, o valor da energia cinética é máximo e o valor da energia potencial é zero (altura = 0m), a energia potencial transformou-se em energia cinética.

Então:

Tabela I – Relação entre altura do salto e o valor da velocidade de entrada na água em m/s e km/h.

Bibliografia

Almeida M., 2002, Hidrologia e Hidráulica para praticantes de canyoning, CIM 2002, Cascais.
Cláudio M. e Lobo P., 1999, Geografia 10º e 11º ano, Edições Asa, 1ª Ed., Lisboa.
Daveau S., 1995, Portugal Geográfico, Edições João Sá da Costa, 1ª Ed., Lisboa.
Gómez E. e Tejero L., 2002, Guía de descenso de cañones y barrancos Sierra de Guara, Editorial Barrabes, 1ª Ed., Huesca.
Guilleman J. e Saunier T, 2001, Manual Técnico Descenso de Cañones, Desnivel Ediciones, 1ª Ed., Madrid.
Pereira M. e Cruz M., 1995, Geografia 10º ano, Plátano Editora, 6ª Ed., Lisboa.
Silva F., 2002, Étude de L’écosystème du canyon-Rio de Frades, Lisboa.
Silva F., 2003, Canyoning Aperfeiçoamento N.II, A. D. A. Desnível, Cascais.
Verbo E., 1990, Atlas Geográfico, Verbo, Ed. nº 1923, Lisboa / São Paulo.

Outras fontes

Direcção Geral de Geologia e Minas, 1981, folha nº 13-D (Oliveira de Azeméis), 1/50000, S. G. P., Lisboa
Instituto Geográfico e Cadastral, 1960, folha nº 13-D (Oliveira de Azeméis), 1/50000, I. G. C., Lisboa
Instituto Geográfico do Exército, 1998, folha nº 165 (Arões), 1/25000, I. G. E., 3ª Ed., Lisboa
Região de Turismo Rota da Luz, Sever do Vouga, Turismo de Portugal, Aveiro, (desbobrável)
Região de Turismo Rota da Luz, Sever do Vouga, Turismo de Portugal, Aveiro, (folheto)
www.rotadaluz.aveiro.co.pt
www.rotadaluz.severdovouga.co.pt

Riscos Inerentes

Embora a prática do canyoning a um nível elementar seja bastante acessível, não está ausente de riscos, que são frequentemente subestimados. Os perigos resultam essencialmente da dificuldade de evacuação e do risco de queda e entorses resultantes do terreno ser muito irregular e escorregadio. Esses riscos podem ser bastante diminuídos se as descidas forem acompanhadas por monitores.

Nos canyons mais difíceis os perigos estão mais relacionados com a dificuldade técnica em montar os rapeis, descer por cascatas de grande caudal, a fadiga e o enregelamento.

Em cascatas altas e caudal volumoso não se aproximar da turbulência causada pela queda da água, pois pode provocar fortes correntes e retornos.

Destacam-se ainda os seguintes riscos:

Salto para piscinas naturais:

Verificar a profundidade da piscina, no caso de existirem dúvidas não saltar.

Ter cuidado com troncos e outros objetos que possam estar no fundo das piscinas. Devido à turbulência da água e ao ângulo de incidência da luz nem sempre é possível ter uma ideia aproximada da profundidade das piscinas e ausência de obstáculos, mesmo em águas cristalinas.

Nunca efetuar saltos superiores a 10 metros.

As condições dos cursos de água variam regularmente, uma piscina desimpedida num ano anterior pode ter um grande bloco de rocha no ano seguinte.

No rapel:

Existem diversas técnicas de rapel, cada uma é mais adequada para determinada situação.

O rapel sem a corda a passar pelo mosquetão, tão apregoado nesta modalidade, só deve ser utilizado em situações muito específicas e por praticantes com bastante experiência. Já se verificaram diversos acidentes devido à utilização desta técnica de rapel.

Brusca alteração meteorológica:

Ter especial atenção às condições meteorológicas, nunca fazer um canyoning com condições instáveis. Uma precipitação intensa e localizada pode criar uma enxurrada e colocar em risco toda a equipa que devido à morfologia destes cursos de água, pode não ter possibilidade de fuga.

Descarga de barragens:

Em Portugal alguns dos itinerários de canyoning apresentam a montante mini-hídricas que no caso de descarga súbita podem criar graves situações de risco.

Alguns conselhos

  • Levar sempre roupa seca guardada num bidon, pois em caso de acidente ou muito frio, é possível recuperar a temperatura corporal.
  • Minimizar o impacto ambiental da atividade.
  • Tomar alimentos energéticos e beber com regularidade para contrariar a forte desidratação do corpo durante a atividade.
  • Levar sempre fato de neoprene, pois a longa exposição à água vai arrefecer o corpo, mesmo nos dias mais quentes.
  • Informar-se das condições do equipamento do canyon e levar sempre equipamento para qualquer eventualidade.
  • Usar sempre capacete, para além da proteção em caso de queda, a água pode arrastar objetos que se projetam com força nas cascatas.

Socorrismo em Canyoning

por Francisco Silva e Cristina Lourenço

Fazer canyoning é partir à descoberta de lugares paradisíacos rodeados por misteriosos labirintos, onde o leito de um rio ou ribeira, atinge uma importância capaz de abstrair o utilizador de outro lugar comparável.

No entanto, como em qualquer outra atividade exercida ao ar livre, existem perigos que por falta de conhecimentos técnicos e/ ou inexperiência podem pôr em risco a vida humana.

Sabemos que, mesmo para quem tem formação inicial em Primeiros-Socorros, este só deve atuar em casos simples ou de emergência e se não existir a possibilidade de o paciente ser socorrido em tempo útil por um profissional. Assim, a função do socorrista é de garantir um socorro básico e de emergência, que pode ser fundamental para salvar vidas.

Em caso de acidente é necessário manter a calma dos elementos do grupo, o conforto do sinistrado e procurar desenvolver os mecanismos necessários para que o socorro se efetue por profissionais de forma rápida e eficiente.

No entanto, devido à dificuldade de acesso aos locais o socorrista pode ver-se confrontado com a necessidade de desempenhar tarefas que à partida deveriam estar reservadas a especialistas, com a finalidade de garantir que o socorro se efetue em tempo aceitável, evitar o agravamento da situação e, em casos graves, procurar manter os sinais vitais do sinistrado.

Em qualquer dos casos, os meios de resgate e de socorro por profissionais devem ser ativados sempre que necessário e o mais urgente possível.

Neste artigo, pretende-se aflorar de forma sumária, os procedimentos a tomar, nas situações mais comuns que podem ocorrer ao descer um canyon.

  1. Queda

Devido ao contacto permanente com a água, salvo algumas exceções específicas do rio, o piso torna-se escorregadio o que obriga a uma atenção redobrada na forma como andamos e saltamos.

1.1 Feridas

Socorro

  • Lavar com soro fisiológico
  • Cobrir com compressa esterilizada

1.2 Suspeita de membros fracturados

Socorro

  • Se possível retirar a vítima do contacto com a água
  • Colocá-la numa posição minimamente confortável
  • Expor o local, cortando o fato de neoprene/roupa se for preciso
  • Tentar imobilizar a articulação acima e abaixo do local ferido
  • Caso haja topos ósseos à vista: lavar com soro fisiológico e cobrir de forma a manter húmida essa região
  • Se possível transportá-la ou pedir ajuda via 112 (acionar os meios de socorro adequado, equipas de resgate)

2. Afogamento

Ao descer uma cascata, devido ao volume do caudal e/ ou inexperiência, pode ocorrer uma dispneia (dificuldade respiratória).

Em rios com caudais significativos os movimentos de água e sifões podem criar situações iminentes de afogamento

Como evitar

  • Criar o canal de respiração, inclinando a cabeça para baixo e respirando pela boca de forma a controlar a introdução de água.
  • Evitar cascatas com grande caudal e evitar zonas com movimentos de água perigosos

Socorro

  • Descer a vítima rapidamente ou retirá-la da água, pois existe o perigo de afogamento e de choque

Se a vítima continuar com falta de ar:

  • Colocá-la numa posição minimamente confortável
  • Animar/ acalmar a vítima
  • Aquecê-la (cobertura de sobrevivência)

3. Diferenças Térmicas

O canyoning pode ser muito desagradável se o utilizador não estiver preparado para resistir às baixas temperaturas da água e/ ou ao excessivo calor corporal provocado pelas caminhadas num fato demasiado apertado.
Por isso a escolha do fato (tamanho, espessura e modelo) é uma das mais importantes decisões a tomar antes de começar a realizar esta atividade.
Consultar: “Equipamento necessário para a prática de Canyoning”.

3.1 Queimaduras pelo Frio

  • Palidez
  • Cor rocheada nas extremidades (cianose)
  • Insensibilidade
  • Rigidez
  • Formigueiro

Socorro

  • Se possível retirar a vítima do contacto com a água
  • Aquecê-la (cobertura de sobrevivência)
  • Animar/ acalmar
  • Ingerir líquidos quentes

3.2 Hipotermia

  • Arrefecimento geral
  • Temperatura abaixo dos 35º

Socorro

Aquecimento global da vítima, retirando se possível a roupa húmida e substituir por roupas secas ou utilizar manta de sobrevivência

3.3 Choque térmico

Variações rápidas de temperatura
Falta de irrigação de oxigénio no cérebro

  • Suores frios
  • Palidez
  • Tremuras
  • Tonturas
  • Taquipneia (respiração rápida regular)
  • Taquicárdia (batimentos cardíacos rápidos)
  • Algumas situações, paragem cardio respiratória

Socorro

Inconsciente:

  • Se respira, colocá-la em posição PLS
  • Se não respira, iniciar manobras de suporte básico de vida
  • Transportar a vítima ou pedir ajuda via 112 (pode-se colocar a possibilidade de contactar alguém que tenha conhecimentos técnicos em resgate)
  • Verificar sinais vitais minuto a minuto
  • Aquecimento global do corpo

Consciente:

  • Se possível retirar a vítima do contacto com a água
  • Deitar a vítima
  • Desapertar fato/ roupa
  • Elevação dos membros inferiores
  • Aquecê-la (cobertura de sobrevivência)
  • Animar/ acalmar
  • Ingerir líquidos quentes

3.4 Golpe de calor

  • Ambientes quentes e húmidos (efeito sauna) Pele pálida, suada e fria
  • Pessoa apática
  • Desidratação
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Dores de cabeça

Socorro

  • Tornar o ambiente ventilado, retirar ou desapertar fato/ roupa
  • Proceder ao arrefecimento corporal
  • Se a vítima não entrar/ estiver em choque, dar água em pequenas quantidades

3.5 Golpe de calor

Ao percorrer um canyon com uma exposição prolongada com fato de neoprene e com pouca humidade.

Socorro

  • Manter uma atitude calma e serena
  • Retirar a vítima do ambiente hostil
  • Proceder ao arrefecimento hostil
  • Proceder ao arrefecimento corporal

4. Manobras de Suporte Básico de Vida

4.1 Via aérea

Mantenha a permeabilidade da via aérea; desaperte a roupa e exponha o tórax; verifique corpos estranhos na boca (comida, próteses dentárias soltas, secreções, etc.)

4.2 Avalie a ventilação

Se ventilar normalmente continue o exame ou PLS

4.3 Circulação

  • Pesquise sinais de circulação
  • Pulso carotídeo
  • Mantenha a via aérea permeável
  • Pesquise se respira VOS (ver, ouvir, sentir)
  • Existência de movimentos
  • Tosse

Se a vítima não ventila, mas tem sinais de circulação…

  • Mantenha as insuflações
  • Ritmo de 10 por minuto
  • Cada insuflação com 2 segundos
  • Aguarde 4 segundos
  • Avalie de novo sinais de circulação ao fim de 1 minuto (10 insuflações)

Se a vítima não ventila, e não tem sinais de circulação…

Inicie compressões torácicas

Mantenha o rácio de 2 insuflações por 15 compressões até que:

  • A vítima recupere
  • Um médico mande parar as manobras
  • Seja substituído
  • Entregue ao técnico na unidade de saúde
  • Exaustão

Técnica

O canyoning é uma modalidade desportiva praticada em espaços naturais, frequentemente de difícil acesso e progressão.

Desenrola-se num ambiente misto: montanha e água, e requer conhecimentos técnicos associados à progressão com recurso a manobras de cordascaminhadaescalada e progressão no meio aquático incluindo águas bravas.

Comunicação em Canyoning

Devido aos obstáculos e ao ruído provocado pela água a comunicação oral por vezes é difícil, pelo que é necessário recorrer-se a outras formas de comunicação mais simples, das quais se destacam:

  1. Comunicação com sinais sonoros (recorrendo a um apito)
  2. Linguagem gestual apresenta grande importância no canyoning

Para além destes tipos de comunicação é aconselhável levar um telemóvel resguardado no tanque estanque, que pode ser bastante útil em caso de acidente. Mesmo que no canhão não exista rede, pode facilitar a comunicação em partes mais altas. Em determinados locais pode igualmente ser útil recorrer-se a rádios transportados em sacos estanques.

Os sinais sonoros embora limitados, são a comunicação mais utilizada em canyoning sempre que a comunicação normal é difícil. Em relação à comunicação com gestos, apresenta a vantagem de poder ser utilizada mesmo que não haja contacto visual entre as pessoas.

Desta forma um apito é um instrumento indispensável que todos os praticantes de canyoning devem levar em local acessível. Para além dos sinais convencionais em baixo apresentados, os praticantes podem combinar outras combinações para aumentar o espectro da linguagem.

  • Um apito = Stop, fim da manobra, parar de dar corda;
  • Dois apitos = Livre, corda livre para outra pessoa começar a fazer rapel;
  • Três apitos = Dar corda, corda curta ou dar corda porque companheiro está bloqueador;
  • Sequência de 3 apitos curtos + 3 longos + 3 curtos = Help, Necessito de ajuda, perigo (código morse).